Reflexão sobre o tema

Finalizamos o primeiro encontro com a decisão da turma que iríamos trabalhar o tema Violência. A equipe do projeto, em discussão posterior, identificou que os exemplos trazidos pelos estudantes relatavam situações de confrontos físicos e verbais entre jovens. Decidimos então trabalhar nos próximos encontros com dados sociais sobre violência, cumprindo dois objetivos: apresentar tipos de violência para tentar afunilar o tema e acessar sites e bancos de dados de pesquisa social para ampliar as bases sociológicas da discussão e como parte das atividades de letramento digital.
Nosso segundo encontro aconteceu somente 3 semanas depois, no dia 25 de março, após um longo intervalo de reinvidicações trabalhistas dos professores estaduais, que vinham ocupando o horário da aula para reuniões sindicais.
Selecionamos dois sites para trabalhar no segundo encontro: o produzido pelo IPEA para visualização interativa dos dados do Atlas da Violência 2025 (https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/) e o endereço oficial do Instituto Maria da Penha, em sua aba Tipos de violência (https://www.institutomariadapenha.org.br/lei-11340/tipos-de-violencia.html) , que apresenta de forma bastante didática os tipos de violência contra mulher enquadrados pela lei.
Nosso segundo encontro foi realizado no espaço da biblioteca da escola, que conta com 5 mesas coletivas. Para visualização pela turma, levamos 10 tablets do multiHlab e roteamos a internet de um celular da equipe. Um fato importante é a baixa qualidade ou inexistência do sinal de Wi-fi para usos pedagógicos na escola. Ela conta com um laboratório de informática, composto por 13 computadores conectados a cabo a internet, mas a sala é muito pequena e nem todos os computadores funcionam. Também, já chegou na escola o “carrinho de notebooks”, com 20 equipamentos. Profa. Monia informou que em próximas atividades poderemos solicitá-los.
A primeira tarefa foi visualizar o site do Atlas da Violência. Lemos as tipologias apresentadas e indicamos para visualização pela turma o tópico “Juventude Perdida”, Os dados foram visualizados nos formato tabela e gráficos. Como os estudantes estavam em grupos por mesas, debatiam entre si e com integrantes do projeto sobre o que estavam lendo.
Imagem 1 - Print de tela do site do Atlas da Violência em página
do tema “Juventude Perdida”

Fonte: Atlas da Violência (2026). Disponível em: https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/tema/2/ . Acesso em 25 mar 2026.
A segunda tarefa foi entrar no site do Instituto Maria da Penha. Os estudantes afirmaram que conheciam a Lei Maria da Penha (pelo menos seu nome). Visualizamos a página inicial e identificamos no menu de navegação a aba Tipos de violência. Nesta página, encontramos os cinco tipos de violência contra mulher previstas na lei: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. O site lista os tipos de violência e trabalha com exemplos de situações que os caracterizam, numa linguagem acessível que interessou os estudantes, tanto meninas quanto meninos. Na imagem 3 incluímos uma galeria com a forma de apresentação das cinco tipologias a partir de prints das partes da página.
Por fim, indicamos que agora que já tinhamos visualizado alguns tipos de violência, ressaltando que ainda existem outros, cada grupo poderia escolher sobre qual tipo gostaria de pesquisar e produzir seu material para a revista eletrônica. Poderiam escolher, inclusive, algum tipo que não estava nestes dois sites. Mesmo com essa abertura, todos os grupos escolheram tipos de violência apresentados pelo Instituto Maria da Penha, ficando: violência sexual, violência física, violência patrimonial e violência psicológica. Perguntei porque no final todos os grupos escolheram tipos relacionados a violência contra a mulher. Como resposta, tivemos “a gente vê isso no nosso dia a dia”. Para o próximo encontro, cada grupo ficou responsável em trazer referências sobre o seu tema, podendo ser sites, produções audiovisuais, literatura, pesquisas, matérias jornalísticas.
O terceiro encontro foi no dia 08 de abril, na sala de aula da turma. Amanheceu com fortes chuvas e poucos estudantes estavam na escola, e ainda preocupados sobre como seria a volta para casa. Os grupos não haviam se organizado para produzirem suas pesquisas sobre os temas. Então usamos o horário da aula para iniciarem pesquisas usando seus próprios celulares. Observamos que muitos se dispersaram, usando o celular para ver coisas de interesse pessoal. O principal campo de busca foi o ChatGPT juntamente com o Gemini. Profa. Monia foi orientando cada grupo, buscando ajudá-los na busca por referências.
O quarto encontro aconteceu no dia 15 de abril, novamente na biblioteca, contando com tela e projetor multimídia para apresentação das pesquisas realizadas pelos grupos. Percebemos que somente a primeira equipe tinha preparado slides e organizado as falas entre todos os integrantes, preocupando-se em conceituar violência física e trazer exemplos, como violência na infância e na adolescência, contra a mulher, contra o idoso. Os demais grupos foram preparando na hora, enquanto o primeiro apresentava, utilizando recursos como ChatGPT, Pinterest e preparação de slides no Canva (versão mobile em celular).
Imagem 1 - Primeiro slide da apresentação do grupo sobre violência física

Fonte: Acervo Projeto SER.
Imagem 2 - Slide produzido na hora pela equipe de Violência psicológica utilizando pesquisa de imagens no Pinterest e montagem no Canva mobile.

Fonte: Acervo Projeto SER.
Imagem 3 - Mapa mental produzido na hora pelo grupo de Violência moral utilizando o ChatGPT e folha de caderno.

Fonte: Acervo Projeto SER.
Chamou a atenção que em seus exemplos não relacionaram situações tipificadas pela Lei Maria da Penha. Voltamos a perguntar se o interesse era abordar os tipos de violência contra mulher, como combinado em encontros anteriores. A resposta não pareceu muito assertiva, simplesmente fariam o que a equipe pedisse. Neste momento, percebemos que as discussões precisavam tocar mais cada estudante, aproximar-se de suas histórias de vida, de forma a engajá-los no tema.
Após as apresentações dos grupos, com intervenções e discussões promovidas pela equipe do projeto, Viviane apresentou dois exemplos de materiais de comunicação que abordavam o tema violência doméstica. Escutamos e cantamos a música “Maria da Vila Matilde”, de Elza Soares. Apresentamos o vídeo publicitário que utilizou essa música trazendo homens e mulheres cantando e divulgando o telefone 180, com ênfase na frase “você vai se arrepender de levantar a mão pra mim (pra ela)”. Visualizamos outro vídeo produzido pelo Instituto Maria da Penha no período da pandemia, quando os casos de violência doméstica subiram assustadoramente, incentivando a realização de denúncias por pessoas próximas à vítima.
O último vídeo provocou indignação de algumas meninas, que começaram a defender a pena de morte para os agressores. Ou soluções de justiça com as próprias mãos, como as mulheres matando seus agressores. A equipe logo interviu trazendo os caminhos legais de denúncia, ações judiciais e consequências para a mulher. Além disso, iniciou uma discussão e julgamentos pejorativos sobre quando mulheres sofrem algum tipo de violência no relacionamento e muitas vezes acabam voltando pro seu agressor. Diante dessa situação, a equipe se prontificou a dizer que não importa a ação posterior da vítima, o importante é ajudar quando presenciar uma situação violenta.
Para finalizar o encontro com uma reflexão, trouxemos a pergunta: “Por que até hoje os homens continuam achando que são donos das mulheres?”. Como já estava no final da aula, só introduzimos possíveis respostas, trazendo o patriarcado, o machismo, a misoginia. Ficou combinado entre a equipe que o próximo encontro será conduzido por Monia, que abordará os temas do patriarcado e do machismo.


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