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Quando a informação circula, ela também se transforma

Foto do escritor: sociaisemrede
sociaisemrede
há 5 horas
3 min de leitura


O terceiro encontro da turma 1B, realizado em 17 de abril de 2026, retomou especialmente o tema da fofoca e dos influencers para discutir como as informações circulam nas redes digitais e como podem ser modificadas durante esse processo. Para iniciar a atividade, os estudantes participaram de uma versão do tradicional jogo do “telefone sem fio”. A frase escolhida — “Professora Monia foi cancelada por xingar um estudante” — deveria ser transmitida de uma pessoa para outra apenas uma vez. Ao final, a mensagem havia se transformado em “A professora é inocente”.


O resultado provocou risos e, ao mesmo tempo, abriu espaço para uma discussão sobre os mecanismos de circulação das informações. Os próprios estudantes perceberam que pequenas diferenças na escuta e na interpretação eram suficientes para alterar completamente a mensagem original. A dinâmica foi então relacionada às fofocas e às fake news: uma informação pode circular rapidamente, ser modificada no caminho e produzir efeitos que não estavam presentes em sua origem.


Para aproximar a discussão de situações concretas, foram apresentados os casos envolvendo Klara Castanho e Jéssica Canedo, marcados por exposição indevida e circulação de informações falsas. A partir desses exemplos, os estudantes discutiram as consequências da desinformação e reconheceram que aquilo que pode parecer uma brincadeira ou uma fofoca sem importância pode produzir consequências graves. A atividade também retomou uma questão levantada no encontro anterior: a necessidade de perguntar sobre a origem e a confiabilidade das informações consumidas nas redes.


A discussão foi ampliada com a música Fama, de Beth Lamas, e com reflexões inspiradas em Lugar de Fala, de Djamila Ribeiro. O debate sobre fama e dinheiro levou os estudantes a pensar sobre a maneira como o reconhecimento social é construído e como diferentes pessoas ocupam lugares distintos na sociedade. A noção de locus social permitiu aproximar as experiências cotidianas das discussões sobre hierarquias e relações sociais.


A conversa também se expandiu para os impactos da tecnologia no mundo do trabalho. A coordenadora da escola relatou situações de substituição de trabalhadores por sistemas automatizados, enquanto outros exemplos foram trazidos pela equipe. Os estudantes puderam relacionar a presença cada vez maior das tecnologias digitais às mudanças nas relações de trabalho, no consumo e na circulação de dinheiro. Ao final, quando convidados a sintetizar as discussões do encontro em uma palavra, um estudante respondeu: “Capitalismo”.


ADICIONAR FOTOS DA EXPOSIÇÃO E DOS MOMENTOS DE DISCUSSÃO


No quarto encontro, realizado em 15 de maio, as discussões foram novamente aproximadas do universo digital e cultural dos estudantes. A atividade começou com a exibição de um vídeo da influenciadora Débora Luz, que aborda a identidade da mulher negra a partir da relação com o cabelo crespo e de sua trajetória de aceitação. A produção permitiu retomar os temas escolhidos anteriormente e observar como questões relacionadas à influência digital, aos investimentos e aos conflitos também aparecem em conteúdos aparentemente voltados apenas para beleza e identidade.


Os estudantes perceberam, por exemplo, que a valorização dos cabelos crespos e cacheados também movimenta o mercado de cosméticos. A partir dessa observação, discutiram como empresas acompanham transformações culturais e sociais para desenvolver novos produtos e alcançar públicos diferentes. A relação entre cultura, consumo e mercado tornou-se, assim, mais uma possibilidade de conexão entre os temas escolhidos pela turma.


A temática das guerras também ganhou outro significado quando os estudantes lembraram das discussões e brigas que acompanham conteúdos publicados nas redes sociais. Um dos relatos destacou conflitos e disputas políticas que aparecem em comentários e vídeos, mesmo quando o assunto original da publicação não estava relacionado à política. A discussão mostrou que as redes digitais não são apenas espaços de circulação de informação e entretenimento, mas também lugares de disputa, conflito e construção de opiniões.


Na sequência, os estudantes participaram de diferentes jogos relacionados às temáticas trabalhadas. A batalha naval foi utilizada para conversar sobre guerras; o jogo de bolsa de valores introduziu situações relacionadas a investimentos; e outros jogos, envolvendo personagens, roupas e o Ludo, foram utilizados para pensar sobre influência, consumo e interação. O formato lúdico provocou uma participação mais intensa dos estudantes, que demonstraram grande envolvimento com as atividades. O encontro terminou com a apresentação da nova identidade visual da revista eletrônica, aproximando a turma da etapa seguinte do projeto: a produção de seus próprios conteúdos digitais.


ADICIONAR FOTOS DOS JOGOS E DA NOVA IDENTIDADE VISUAL DA REVISTA


 
 
 

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