Produção Digital
Nosso quinto encontro havia acontecido em 22 de abril. Após um intervalo de 6 semanas, tivemos nosso sexto encontro, realizado em 10 de junho. Neste tempo, Monia e os bolsistas Pibid mantiveram as atividades da disciplina de português e houveram momentos sem aulas nas quartas-feiras. O projeto seguiu nas outras turmas - 1º B e 1º C - com condução de Giuseppa e Cesar. Alcançaram o estágio de produção do artefato digital, iniciando as produções de colagens digitais e vídeo em stop motion.
A partir da fala da professora Monia, consideramos o tempo para finalização do projeto e a dificuldade em neste momento trabalhar texto escrito com a turma. Nossa intenção de produzir, principalmente, podcast, exigiria mais tempo para produção dos roteiros, gravação com as equipes e edição e disponibilização online. A partir do depoimento de Isadora e Roger, integrantes do multiHlab que conduziram as oficinas de colagem digital e stop motion nas outras turmas, consideramos que seria mais adequado levar como proposta para o 1º A também a colagem digital utilizando os notebooks do laboratório móvel da escola.
A presença dos notebooks na escola é uma novidade. Além do laboratório de informática composto por 13 computadores de mesa conectados por cabo à internet, agora a escola conta com um carrinho com 20 notebooks que também funcionam como tablets, respondendo aos comandos por teclado, mouse e toques na tela. Entretanto, o Wi-Fi da escola não funciona e para utilizar a internet na sala de aula, é preciso disponibilizar acesso a dados móveis a partir de um celular. Neste caso, a equipe do multiHlab preparou os notebooks roteando a internet do celular de Viviane e acessando o ambiente Canva com conta institucional da Fundaj para garantir nosso acesso ao conteúdo produzido pelos alunos.
Este encontro aconteceu na sala chamada de “auditório” da escola. É uma sala de aula maior, que pode ser organizada como auditório com as cadeiras enfileiradas ou para atividades em grupo, reunindo as mesas para trabalho. Os condicionadores de ar desta sala não estão funcionando, exigindo o uso dos ventiladores, os quais fazem muito ruído. Para conseguirmos ser ouvidos pelos grupos, já organizados em suas mesas e com os notebooks em mãos, foi preciso desligar temporariamente os ventiladores e elevar bastante a voz. Como já estavam de posse dos equipamentos, não dedicaram atenção às instruções, querendo iniciar imediatamente a atividade. Mas as pessoas não lembravam qual era a composição dos grupos nem o tipo de violência que estavam trabalhando. O intervalo de 6 semanas foi muito longo.
Resgatamos o arquivo com a divisão dos grupos por temas. Houve alguns rearranjos, mas todos os presentes se encaixaram em algum grupo. A equipe do projeto ficou circulando entre as mesas para auxiliar na busca por imagens, identificação de palavras e frases de efeito, edição de imagens com uso de sites para remoção do fundo, explicações sobre as características estéticas de uma colagem digital, uso de recursos na plataforma Canva. Percebemos que alguns estudantes tinham mais familiaridade com o ambiente digital, demonstrando desenvoltura na busca por exemplos de colagens digitais (referências visuais); onde buscar suas imagens (utilizaram principalmente o Pinterest); no processo de edição (retirar o fundo, recortar); na organização da arte no Canva (usando principalmente a interface por toque na tela). Esses estudantes acabam tomando a frente para finalizar mais rapidamente a atividade. Em alguns grupos, os demais se engajaram, opinando, buscando no segundo notebook novos elementos. Mas muitos alunos ficaram alheios, não demonstrando interesse, mesmo com a tentativa de diálogo trazida pela equipe do projeto ao circular entre os grupos.
Ao final, avançamos na construção dos artefatos digitais, mas não concluímos. A equipe ficou responsável em avaliar os trabalhos para no próximo encontro trazer considerações para aperfeiçoamento e conclusão do processo de criação. A equipe do multiHlab se reuniu para visualização e análise do estágio alcançado pelos estudantes na produção de suas colagens digitais. Identificamos como dificuldade não terem compreendido a estética da colagem, trazendo artes com poucos elementos, preocupadas em separar cada imagem em seu espaço, sem incluir interferências gráficas como grafismos e sobreposições. Também, percebemos o uso de imagens muito parecidas entre si, não contribuindo para a ampliação do significado. Alguns grupos escreveram na arte o tipo de violência que estariam representando, como “violência patrimonial”, aproximando-se do que poderia ser um cartaz, com um título em destaque. Nossa conclusão é que a limitação não se deu por desconhecimento das técnicas digitais, mas por falta de referências visuais e compreensão da estética própria desta linguagem. Havíamos tentado conversar nos grupos sobre as características de uma colagem digital, mas não contamos com a atenção deles, que estavam preocupados em atender a demanda com rapidez e se liberarem. Então combinamos entre nós que no próximo encontro os estudantes receberiam os notebooks apenas após a conclusão das orientações, pois percebemos que ao terem os equipamentos em mãos a atenção é dispersada.
Começamos o encontro informando que se tratava de nosso último momento, finalizando hoje a parte do projeto com eles. Perguntei se tinham aprendido algo que não conheciam antes, como os tipos de violência trazidos pela Lei Maria da Penha. Alguns falaram que não conheciam a violência patrimonial e as características da violência psicológica. Eu relatei como eu mesma não sabia que menores de idade também poderiam ser enquadrados como infratores e sofrerem privação de liberdade em situações de violência com suas namoradas, mães, irmãs, avós.
Apresentamos para a turma o site do Sociais em Rede, informando que ainda está em construção, mas que seria nesse espaço de Cultura Digital que seus trabalhos seriam apresentados, utilizando o formato de blog.
Projetamos o ambiente Canva do multiHlab no qual estavam salvas as artes produzidas pelos grupos. Iniciamos o encontro solicitando para que representantes de cada grupo viessem para a frente da sala e explicassem quais estratégias digitais tinham utilizado para criar sua arte. A intenção não era explicar o conteúdo da produção, mas como a fez. Eles foram relatando o que já tínhamos observado no encontro anterior ao circular nos grupos: uso de sites para remover o fundo das imagens, busca de imagens no Canva e no Pinterest, formulação de palavras ou frases usando o ChatGPT. O objetivo era compartilhar com a turma as técnicas que conheciam.
Após a fala do grupo, a cada arte, fomos trazendo as reflexões discutidas com a equipe do multiHlab. Como aquele trabalho poderia melhorar, técnicas de design, de comunicação, a orientação para que os grupos não escrevessem o nome do tipo de violência na colagem para que o leitor realize o esforço cognitivo de observar as imagens e interpretar seus significados.
Após a exposição e crítica de cada trabalho, apresentamos exemplos de colagens digitais, ressaltando as características de sua estética. A partir destas referências visuais e das críticas aos trabalhos, os grupos receberam os notebooks para retrabalharem em suas colagens. Alguns grupos resolveram incluir novos elementos na colagem já produzida e outros preferiram fazer uma nova arte. Os resultados foram muito melhores. Conseguiram incluir imagens menos literais, trabalharam no espaço da página mais elementos, utilizaram outros recursos do Canva. Foi interessante perceber a satisfação de alguns estudantes em entregar algo melhor acabado para publicação na revista eletrônica. Nossa equipe também ficou satisfeita com os produtos finais.

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