Da reflexão à produção digital
O quinto encontro da turma 1B, realizado em 22 de maio de 2026, marcou uma nova etapa do projeto: depois de discutir os temas escolhidos e experimentar diferentes formas de interpretá-los, os estudantes começaram a transformar suas ideias em produções para a revista eletrônica. A proposta inicial era apresentar a linguagem audiovisual do stop motion, explorando suas possibilidades e diferentes formas de construção. A atividade foi conduzida por Isadora, que apresentou exemplos para familiarizar a turma com a técnica.
Antes de produzir, porém, os estudantes precisaram pensar em como transformar suas temáticas em uma narrativa curta e compreensível. Para isso, foram convidados a elaborar roteiros que organizassem as ideias que desejavam comunicar. A tarefa revelou uma dificuldade importante: muitos estudantes ainda não estavam familiarizados com a estrutura de um roteiro e precisaram de acompanhamento da equipe para transformar suas ideias em uma sequência narrativa.
Durante esse processo, apareceram diferentes formas de uso das tecnologias digitais. Alguns estudantes utilizaram os celulares para pesquisar informações sobre roteiros, enquanto outros recorreram ao ChatGPT para produzir o texto e simplesmente o transcreveram para o papel. A situação permitiu observar uma questão central do projeto: embora os estudantes tenham familiaridade com ferramentas digitais, essa familiaridade não significa necessariamente que saibam utilizá-las de forma crítica ou autoral. O uso da tecnologia pode tanto ampliar possibilidades criativas quanto reduzir o processo de elaboração quando a ferramenta passa a oferecer uma resposta pronta.
Depois da elaboração dos roteiros, os grupos foram convidados a procurar, em revistas impressas, imagens e elementos que pudessem representar suas narrativas. O exercício aproximou uma linguagem tradicional, a colagem com recortes, da produção digital que seria realizada posteriormente. Apenas um grupo conseguiu finalizar a colagem naquele encontro; os demais avançaram na seleção e organização dos elementos, preparando-se para a etapa seguinte.
No sexto encontro, realizado em 29 de maio, a experiência passou definitivamente para o ambiente digital. A partir dos roteiros produzidos anteriormente, os estudantes foram apresentados às características da colagem digital e observaram exemplos encontrados na internet, no Google Imagens e no Pinterest. Em seguida, utilizaram tablets e a plataforma Canva para transformar suas ideias em produções visuais.
Cada temática foi dividida em duas colagens, permitindo que os grupos experimentassem diferentes possibilidades de representação. A equipe acompanhou as produções, auxiliando na utilização das ferramentas de edição e na organização das imagens. Alguns estudantes demonstraram maior familiaridade com o ambiente digital e assumiram rapidamente a busca de referências, o recorte de imagens e a montagem das artes. Outros tiveram dificuldades para compreender a própria linguagem da colagem, criando inicialmente produções com imagens separadas ou distribuídas em mais de uma página.
As diferenças entre os trabalhos mostraram que dominar uma ferramenta digital não significa necessariamente dominar a linguagem que ela permite produzir. Em algumas colagens, os estudantes organizaram fotografias em um modelo semelhante a uma montagem convencional; em outras, conseguiram experimentar diferentes elementos e construir relações mais complexas entre as imagens. A produção sobre guerras, por exemplo, concentrou-se inicialmente em representações literais de confrontos entre exércitos, enquanto um roteiro produzido com auxílio de inteligência artificial resultou em uma edição mais simples e com poucos elementos.
Ao longo do encontro, entretanto, as produções foram se desenvolvendo. Com orientação, os estudantes passaram a explorar melhor os recursos disponíveis e conseguiram finalizar suas colagens. O resultado revelou diferentes formas de interpretar os temas escolhidos e mostrou que a produção digital não se resume ao domínio técnico de aplicativos: envolve também escolhas estéticas, capacidade de síntese, interpretação e construção de sentidos.
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