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Estamos em nosso quinto encontro com o 1º ano A da EREM Prof. Cândido Duarte, que aconteceu no dia 22 de abril. A condução da aula hoje foi realizada pela Profa. Monia. Diante de uma chegada agitada dos estudantes com direito a batuques nas mesas, falas e cantorias, ela retomou a discussão, lembrando os questionamentos lançados no encontro anterior. Explicou que hoje a aula teria três momentos, incluindo a discussão do conceito de patriarcado, assistir e discutir um vídeo e ao final os grupos jogariam um jogo de tabuleiro muito interessante.
Começamos propondo uma leitura de imagens. Monia trouxe fotografias capazes de abordar estereótipos de gênero, com cenas como um homem branco separando roupas num cesto enquanto segura um bebê e tem outra criança ao seu lado; esfregando o chão enquanto a mulher está sentada no sofá com um computador; uma mulher negra de terno e de pé, posicionada a frente de um homem branco sentado em uma mesa. Solicitou que cada grupo, que já estava posicionado em uma mesa da biblioteca, descrevesse o que estava acontecendo naquela cena. Enquanto os meninos traziam falas machistas, informando que “está ao contrário, é a mulher que faz isso”, “está errado” e “a mulher é a secretária e o homem é o chefe dela”. Pareciam querer provocar a indignação das colegas. As meninas rebatiam, trazendo que todo mundo pode cuidar da casa e ter sucesso profissional.
Imagem 1 - Primeira imagem discutida com os estudantes, a qual foi capaz de estimular falas sobre estereótipos de gênero.

Então Monia questionou: Por que pensamos assim? Quando começou essa divisão social entre os gêneros? Antes de ler o texto separado pela docente, um dos meninos disse “a sociedade normalizou o machismo”. Com isso, o conceito de Patriarcado foi trazido pela leitura de trecho da cartilha Diversidades, distribuindo uma cópia para cada estudante. Alguns acompanharam a leitura, outros só escutaram a professora ler em voz alta, ficando com a cabeça deitada na mesa. O conteúdo explica o patriarcado como um sistema social iniciado na Roma Antiga, baseado no poder do pai sobre as mulheres e os homens mais jovens. Evidenciou-se que a supremacia masculina usufrui do patriarcalismo como um dispositivo de poder para desvalorizar as atividades femininas. Depois, Monia relatou uma pesquisa antropológica que comprovou não ser uma questão biológica, mas social, a divisão de papéis sociais entre os gêneros em diferentes culturas.
Diante da pergunta “Por que desde o início as meninas e os meninos são educados de formas distintas?”, os estudantes reconheceram algumas experiências pessoais, de como funciona em suas casas. Como as avós e mães direcionam as filhas para ajudar no trabalho doméstico e não exigem o mesmo dos meninos. Este momento foi importante, com falas potentes de estudantes, pensando em como suas avós e mães foram criadas e reproduziam ou não esses estereótipos. Com esse gancho, assistimos juntos a animação Vida Maria, de 2006, com duração de 9 minutos. Ela aborda o ciclo de repetição da criação de meninas impedidas de estudar ou e ter uma profissão, mantidas no trabalho doméstico. O curta-metragem expõe cenas em que a mulher é totalmente responsabilizada pelas tarefas caseiras desde cedo, mesmo que haja apenas uma menina pequena entre a maioria dos filhos mais velhos. Essa demonstração simbolizou situações cotidianas no interior do Sertão com poucas oportunidades, mas que são facilmente encontradas em outros contextos e lugares. Nesse momento, todos os discentes prestavam atenção, evidenciando identificação e engajamento na temática. A discussão após o vídeo reforçou a percepção de que os garotos são criados de maneira diferente e que agora as mulheres têm outras oportunidades, que antes eram negadas por suas famílias e pela estrutura social.
Imagem 2 - Cena da animação Vida Maria, de Márcio Ramos (2006).

Um ponto importante do debate foi o reconhecimento de um menino de que o machismo também pode ser prejudicial para os homens. Ao compartilhar sua experiência, disse que por um período foi criado com a tia, que diferente da avó, o incentivava a fazer também o trabalho doméstico. Segundo ele, a irmã de um de seus pais argumentava que depender de mulher para cuidar da casa é algo ruim, portanto, precisava desenvolver habilidades que lhe proporcionariam independência.
Após trazermos a discussão sobre os processos de socialização e oportunidades ou barreiras que fazem parte da vida de muitas mulheres, Viviane apresentou o jogo Vidas Maria, informando que foi desenvolvido por aluna do Mestrado Profissional de Sociologia em Rede Nacional na Fundação Joaquim Nabuco. Ele trata da aplicação da Lei Maria da Penha em uma situação de namoro entre adolescentes. Informamos que a lei também se aplica nestes casos, em que garotos menores de 18 anos que cometem ato infracional contra mães, avós, irmãs, namoradas, podem ser punidos com privação de liberdade. O jogo está disponível no Portal Educapes (https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/748696) , como parte integrante do trabalho de conclusão de curso de mestrado de Cristiane da Silva Freitas Oliveira, sob orientação da Profa. Dra. Cibele Barbosa, e recebeu o Prêmio Naíde Teodósio de Estudos de Gênero da Secretaria da Mulher de Pernambuco.
Imagem 3 - Tabuleiro do jogo “Vidas Maria”, criado por Cristiane Oliveira, para abordar a Lei Maria da Penha com estudantes do ensino médio.

Fonte: Acervo multiHlab.
Distribuímos um jogo de tabuleiro com cartas para cada mesa e tínhamos integrantes da equipe do projeto SER para acompanhar cada grupo. Não houve tempo suficiente para que os grupos finalizassem o jogo, mas a proposta foi cumprida: realizaram a leitura de imagens, leitura das cartas sobre mulheres da história brasileira, trechos da Lei Maria da Penha, identificaram tipos de violência e dialogaram sobre possíveis ações de Mariinha em resposta às situações que enfrentava.
Finalizada a aula, a equipe do projeto conversou sobre o que aconteceu e os próximos passos. Todos concordaram que a turma, mesmo agitada, tem se engajado nas discussões. E que chegou o momento de direcionar para o tipo de produção que irão desenvolver para a revista.


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